Humm tiver que posta esse artigo aqui, no seu muleke na net... Artigo da MArtha Medeiros que foi publicado na revista siara. Bem minha mãe me pegou falando sozinho rsrsrsrsrsrs Sinceramente ela sempre diz que ficou falando sozinho mas nada a ver, as vezes eu to cantando baixinho... surruando alto mas sei la as vezes falo sozinho mesmo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk E depois que li artigo pode sentir quer não sou o unico que tenho estar mania rsrs. Essa mania so tenho quando fico pensado em algo. E como no artigo "Estamos ensaiando uma discussão, uma argumentação, um desabafo...", etc e tal. Mais nada se compara em te um parceiro pra conversar etc e tal.
FAlando Sozinho
Estava caminhando pelas ruas do rio quando percebi um fenômeno que não é nenhuma nova tendência, ao contrário, é hábito, mas que só agora venho prestando verdadeira atenção. Refiro-me às pessoas que falam sozinhas. Não só falam, aliás, resmungam, xingam, discursam.
Passei a me interessar pelo fato quando, de uns anos pra cá, minhas filhas deram para me alertar: mãe, tu estás falando sozinha. Era só o que me faltava, meninas, estou aqui em frente ao computador, lendo um texto aos sussurros, só isso. E quando acontece na cozinha, mãe? E no corredor do apartamento? Ah, vocês andam ouvindo coisas.
Mas sucumbi às evidências: falo sozinha. Um pouquinho em casa, e infinitamente mais quando estou caminhando pelas avenidas e parques da cidade, onde crio diálogos inteiros na minha cabeça. Sem que eu perceba, meu pensamento sai pela boca. Não raro, gesticulo também. Tudo com a maior discrição-espero.
Quando estou dirigindo meu carro, a mesma coisa. canto quando há música, e falo quando há silêncio. Tenho certeza de que falo apenas com meus botões, falo quieta, mas já fui flagrada em delito: "Mãe, outra vez?"
O que eu falo, no entanto, ninguém escuta direito. Não chego àquele nível de maluquice que acomete andarilhos que falam sozinhos num volume tão audível que a gente chega a se perguntar se estariam mesmo sozinhos. Estarão ?
Desvendado o mistério. Estamos falando com ex-maridos, com chefes insuportáveis, com amigos que não entenderam nossas boas intenções, com personagens criados pela nossa imaginação, com pessoas que já não estão neste mundo, com MArk Zuckerberg, com Jesus, com fantasmas, principalmente com estes, os que nos assombram, vivos ou mortos, desconhecidos ou famosos. Há sempre um interlocutor invisível que precisa ouvir poucas e boas ou nos atender num confessionário ambulante, na calçada mesmo, em meio às buzinas e veículos que passam tão ligeiros que nem nos percebem. Só os porteiros dos prédios é que reparam e se divertem.
O ator Caio Blat disse em entrevista recente que fala muito sozinho, e que considera isso uma espécie de psicodrama - deu à nossa ansiedade um nome mais refinado. Mas está certo, é psicodrama, sim, concordo em defesa de todos os tagarelas solitários. Estamos ensaiando uma discussão, uma argumentação, um desabafo, que depois pode nem acontecer, o caso já ficou resolvido ali mesmo, enquanto se cruzava a faixa de pedestres. Falar sozinho é um ato de generosidade, antes de tudo. Vá saber o estrago que causaríamos se falássemos pra valer, olho no olho, tudo aquilo que mantemos guardado, todo o palavreado da raiva, do rancor e do desassossego que fica confinado dentro. Melhor soltar as frases ao vento.
Martha Medeiros - Falando sozinho publicado na revista Siara do Diário do Nordeste, no dia 29 de julho de 2012.
Até MAis
Sr N.

Nenhum comentário:
Postar um comentário